SALVE, RAINHA DA AMAZÔNIA

Nossa “Salve, Rainha” da Amazônia começa com a alegria de nosso povo. Do mesmo modo que o Anjo Gabriel foi portador da notícia mais alvissareira de toda a história, faz parte de nossa vida anunciar a bondade e a alegria. Nosso povo gosta de festa, gosta de dança, de ritmo e de canto. O Círio de Nazaré é nossa festa! Nele tudo é grande. Grande sua preparação, grandes as multidões, grande a alegria das famílias, grande o nosso “Feliz Círio” tantas vezes repetido. Salve, salve, Maria de Nazaré, nossa Rainha da alegria, a vós clamamos:

Salve Mãe de Misericórdia. Sois bem vinda no meio de um povo de história calejada. Trazemos as cicatrizes de nossa história. Queremos sempre acertar, mas quando vedes a penitência que muitos fazem em nome de todos, é porque sabemos que somos frágeis, pecadores confiantes no perdão que vem da Cruz do vosso Filho amado. Salve, Mãe de Misericórdia.

Vida, doçura, esperança nossa, salve! Nossas muitas águas precisam da âncora da esperança. Aprendemos a olhar além das ondas da maresia da tarde. Ajudai o barco de nossa existência a alcançar a meta de nossa viagem. Conduzi-nos, Mãe e Rainha, a porto seguro. Dai-nos a doçura do vosso olhar, para apaziguar nossas irritações e ansiedades. Venha convosco a paz de Nazaré. Salve, Maria, Senhora da Esperança!

A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. Com vosso olhar de Mãe, vede quantas pessoas entre nós carregam saudades do próprio torrão natal. Vinde consolar os que são demasiado sentimentais! Vinde oferecer colo de mãe para quem está longe da família! Vinde, Maria de Nazaré, abrir vossos braços e vosso manto para agasalhar a todos. Salve, Rainha, Maria de Nazaré, aquela que com o “Ave” inverte o nome de “Eva”. Ave, Maria!

A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Maria, Boa Mãe, andamos recolhendo por aí muitas lágrimas, desejando que, depositadas em vosso colo materno, se transformem em cristais brilhantes de amor e generosidade. Recolhei, em nome de Jesus, em nosso Círio que é vosso Círio, o suor e o cansaço dos romeiros de toda parte, o desejo de cumprir a as promessas feitas, a alegria da graça alcançada e os mistérios escondidos atrás de tantos olhares! Salve, Maria, Senhora das Dores e da Piedade!

Eis, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. Maria, nosso povo vos reconheceu Mãe, Rainha, Consolação, Advogada. Se réus culpados ou inocentes, gritamos confiantes e vos dizemos que um olhar amoroso de vossa parte já será suficiente para trazer pelas ruas de nossa vida as cordas rompidas e abençoadas, transformadas em elos da corrente de amor nascida em Nazaré. Salve, Rainha, Maria dos gritos e das cordas, Maria de Nazaré!

E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Conduzi-nos a Jesus, dizendo-lhe do vinho que nos falta, ou da alegria da festa, ou o consolo desejado e ardentemente suspirado. Só queremos conhecer Jesus e com Ele viver! Salve, Nossa Senhora de Nazaré do Desterro! Ave, Maria! 

Ó clemente, ó pia, ó doce sempre Virgem Maria. Maria, Nossa Senhora. Já sabemos porque ninguém resiste ao Círio! É porque a Igreja vos mostra a nós, Mãe de Clemência, Mãe Piedosa, Sempre Virgem! É porque o mundo grita por estas virtudes, abundantes em vós, suspiradas por nós. Salve, Rainha!

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

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